terça-feira, 9 de setembro de 2008

Cap3

- Mahalla - chamei com um nervoso sorriso. - Um misto de medo e esperança apoderou-se de mim. Medo também. - Queria pedir desculpas - Mas de quê? Estou confuso.
- Estou com Ele,Khan. - Fico assustado e por um momento completamente entregue. Existe um diálogo? Um canal? Para onde? O que significa tudo isso? Lembro de sentir que alguém me observara minutos atrás. Estas terras estão cheias de espiões e certas verdades precisam ser ocultadas. Agora acredito que por algum motivo queiram saber do que eu certamente não sei. - Você é realmente incrível. - Agora a voz veio de trás de mim. Mas o som não lembrava ela, lembrava um grande amigo. - Você conseguiu entrar aqui? - Disse ele com um sorriso castigado no rosto. - Abul, que surpresa! - Retribuí o abraço. - Você estava
com um ar assustado e parecia ouvir algo? - Certamente meu caro, eu ouço muitas coisas depois desta batalha, não estamos com a cabeça muito organizada depois de cortarmos
tantas, são as nossas que estão meio fora de lugar - Sua gargalhada ecoou em todos os corredores e um forte vento adentrou o convento com uma frieza não habitual, os pombos
sobrevoaram as árvores e tudo escureceu. Poderia ser apenas o anúncio de uma tempestade, mas dada as circunstâncias...

- Deus quer nos falar. - Já fora do convento, olhamos pra o alto e decidi aceitar o convite para visitar a sua casa temporária nestas terras. Um presente do Sheik aos sobreviventes. Provavelmente a casa de um cristão morto em combate. Esse é mais que um prêmio, é um símbolo de conquista. -Venha, entre. - Fiquei observando os detalhes da casa que já estava praticamente moldada às tradições muçulmanas com belos tapetes e vasos, mesmo assim, cultivando a simplicidade habitual. Porém havia ainda a cerâmica no teto com a Cruz
de Malta, detalhes nos portões de ordem cristã e um jardim. Eu sinto que perdi muito do que aprendi com as grandes cavalgadas, inclusive observando meu grande amigo. A barba bem cuidada, os adornos, sua arma e seus modos de adentrar a casa, de sentar, falar, observar, comer, enfim, estava mais universal, algo perigoso para minhas crenças e futuras missões.